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Mostrando postagens de dezembro, 2019

Como se escreve réveillon?

Você que iniciou a leitura destes textos vis pode até estar pensando: Esse tema é bem comum, mas incomum comparado com os outros, então por quê ele o disserta? A resposta é bem clara, e bem consistente. Sendo o senso de um comum  o tema dos textos aqui expostos, não poderia eu falar aqui de um devaneio, delírio e malfazejo mais comum que essa tal de virada de ano. Eu até entendo o simbolismo fraterno, a simpatia e a fé devotada inerente, o que inerentemente a tudo isso não entendo e a hipocrisia e a falsidade dos atos da maioria. Admito que não sou daqueles que acredita  que o mundo inteiro jaz no poder dos malignos, mas também não sou daqueles que devota no homem a bondade absoluta corrompida pelo bem-estar social vigente; portanto, eu vejo nessas atividades coletivas de prol fraterno um amontoado de pessoas, na esmagadora maioria, dotadas de uma falsidade e falta de perspectiva sem igual (nesse meio, me encaixo, na maioria dos aspectos!). Adriana Calcanhoto, quando eu ...

As Crônicas de Uma Alma Aflita #3

É no correr da madrugada que somos capazes, se aflita nossa mente e nossa alma, de ouvir o maior grito, que estridente corrói nosso ser; esse grito chama-se silêncio. O silêncio tem essa capacidade contraditória de nos perturbar, não com fanfarras e grilos, mas com ainda mais silêncio e lembranças. Ao estarmos em silêncio somos capazes de ouvir nosso ser, ser este que na maioria das vezes doente   grita em desespero e angustia, mostrando assim que os ouvidos mesmo tapados escutam. Tudo ao redor do angustiado silencioso o aflige, seja o som do ventilador que roda, da geladeira que gela, do teclado que os dedos teclam ou do vento que a janela interpela. O silêncio tem essa capacidade redentora de lembrar, não só das coisas ruins, mas também das coisas boas, dos afagos e dos cheiros. Queria eu poder ser mais silencioso, poder me resolver com minhas angustias, criando menos angustias, através do silêncio. O mundo atual está imerso em barulhos e gritarias, grandes manifesta...

A coragem de crer

Necessitados estão os homens por crenças! Acreditar em algo transcendental é uma coisa quase que inerente a natureza humana, e aos nossos sentidos. Não poderia eu em minha comum natureza vil dissertar sobre a existência ou não dos fatos dotados de crédito, mas, contudo, em contundente afirmação exclamo que as crenças existem, e podem ser mecanismos sine qua non  de transformação individual e coletiva. Um pais imersos em sistemas morais, ricos de regras disciplinares complexas, cheios de temores e tremores, com certeza terá um desempenho social diferente de um pais dotado de liberalidades. O julgo ditatorial e opressivo, seja de que lado for, sempre agarra-se de calabouços morais e religiosos para controlar e nutrir a população. Verdadeiros currais, onde sobre o controle de "ração" e de "água" as pessoas se subjulgam e se permitem ser administradas. Entretanto, a liberdade sendo continuamente confundida com libertinagem também pode ser usada pelos tiranos como um...

As Crônicas de Uma Alma Aflita #2

Em um tempo tão liquefeito e cheio de incertezas, onde a maioria das pessoas querem ser felizes, amar chega a ser uma ofensa, principalmente por que a maioria das pessoas banalizaram tal  ato puro  da natureza humana em prol de uma felicidade robotizada e pseudo-socializada. Eu me encontro aflito esses meses, a universidade vai mal, os estudos também, faz um ano que tento terminar de ler o livro senhor dos anéis a sociedade do anel e não consigo, pelo menos já passei do conselho de Elrond, entretanto, um evento incomum em meus desejos e vontades, sentimentos e bondades, me atingiu, algo que os gregos e os medievais chamariam de doença, o tal "amor", pelo menos acho que é isso. Para um garoto de 19 anos amar sempre foi uma confusão enorme desde que o mundo fundou-se e a natureza humana despertou, imagine isso para mim que vivo imerso na pós-modernidade fingida, presunçosa em liberdade, mas presa aos seus dedos e desejos? A questão principal aqui é como sei que amo, como ...

As Crônicas de Uma Alma Aflita #01

       Por toda minha vida o único tipo de amor que experimentei foi o famigerado e quase que inerente a natureza humana amor fraternal e parental. Uma forma de amor pura e consequente ao ato de existir e ter o senso do coletivo, da consideração e do apego temporal. Entretanto nunca em minhas andanças e pensamentos eu imagnei que meu corpão poderia ser tragado por tão profundo sentimento, um sentimento que em verdade igualavasse ao fraterno-parental; todavia em volúpia embebia-se, mas não fazendo desta o principal fator do sentido mental e espiritual de ser amor.          Admito que no início, esse sentimento confuso, cheio de vida, sentido e origem vital, não surgiu do mero olhar por outrem, mesmo que o olhar do outro me tomou e me fez tonto ao ponto de construir tal sentido, tornando-se impossível e inimaginável. Como é fabuloso o amor grego-romântico, esse amor envolto em libido, mas tal como de afeto e afago; que sentimento mais conf...

Servidão a Servidores

A liberdade é a única coisa que os homens não desejam; e isso por nenhuma outra razão (julgo eu) senão a de que lhes basta desejá-la para a possuírem; como se recusassem conquistá-la por ela ser tão simples de obter.             Assim disse Étienne de La Boétie ao refletir sobre o comportamento servil do homem e sua necessidade de ser subjugado por um senhor tirano. Acredito que ele ficaria bastante feliz em saber que a democracia se tornou mais acessível, que as pessoas alcançaram mais liberdade, voz, e direitos perante ao estado; mas morreria de desgosto ao ver o povo sucumbir sob novas formas de dominação que não são mais armas ou impostos, sal ou especiarias; agora os tiranos usam servidores, ou seja, maquinas, imagens, informações e ideologias, para dominarem as pessoas. Hoje vemos um mundo veloz, um mundo desapegado da métrica, um mundo trivial, tanto na arte como no sentido; o que é cultura? Que características se destacam? Não há nada! As c...

A lembrança e o amor

Olá, boa madrugada. Já é segunda feira, faltam dois ou três dias para o natal, data que sendo pagã, cristã ou comercial, eu gosto muito pelo espírito e fraternidade caridosa que ela representa. Devido a isso me senti compelido a escrever nesta primeira análise que faço como um puro ser comum, talvez fale muito mais vezes sobre isso aqui, sobre os aspectos cativantes e imperfectivelmente idealizados do amor. De a muito sempre escuto Nana Caymmi a interpretar "Não esqueça de mim" de Erasmo Carlos e Roberto Carlos. Toda vez que escuto essa música reflito o quão maravilhoso pode ser amar, quão donativo pode ser o amor para uma pessoa. A melodia e o violão que estridentes levam a canção também me levam junto, e com a voz marcante de Nana sigo ao interior de meu peito e faço a mim mesmo a pergunta "será que eu diria a alguém: onde você estiver não se esqueça de mim, mesmo que exista um amor que te faça feliz? Em dias tão desvalorativos do amor real, seria possível eu ou qua...