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As Crônicas de Uma Alma Aflita #01

       Por toda minha vida o único tipo de amor que experimentei foi o famigerado e quase que inerente a natureza humana amor fraternal e parental. Uma forma de amor pura e consequente ao ato de existir e ter o senso do coletivo, da consideração e do apego temporal. Entretanto nunca em minhas andanças e pensamentos eu imagnei que meu corpão poderia ser tragado por tão profundo sentimento, um sentimento que em verdade igualavasse ao fraterno-parental; todavia em volúpia embebia-se, mas não fazendo desta o principal fator do sentido mental e espiritual de ser amor.
         Admito que no início, esse sentimento confuso, cheio de vida, sentido e origem vital, não surgiu do mero olhar por outrem, mesmo que o olhar do outro me tomou e me fez tonto ao ponto de construir tal sentido, tornando-se impossível e inimaginável. Como é fabuloso o amor grego-romântico, esse amor envolto em libido, mas tal como de afeto e afago; que sentimento mais confuso, esclarecedor, desesperado e esperançoso. Sentimento este que mesmo sem a capacidade de definirmos como lei, o identificamos em vantagem natural ao sentirmos o peito embebedar-se de fogo e calor que não queima, mas que arde em prazer. 
        Talvez um dia eu venha a me arrepender, ainda mais em um tempo tão minimalista e desligado do real, do que disse aqui sobre o amor. Talvez esse sentimento esteja tão difícil de se manifestar em nossos dias pelo fato das pessoas não se permitirem, por desvalorarem a vida e se prenderem na arrogância da propriedade, do individualismo, e do esquecimento de que não devemos ter saudade do amante, mas sim de amar. 

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