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Mostrando postagens de fevereiro, 2020

Poesia do Comum Salu: A Mãe de Muitos

O fervor hibrido e mutante Andante miscigenação das eras Ofegante sentimento vivaz Voraz senhor e senhora Outrora criadora das eras mais belas Nas vozes e nas ervas. Ai quem me dera Dar-te-a a abundância A virilidade e a perseverança De buscar-te  e sentir-te O deusa mãe lilith Viril macho-fêmea Que com delicadeza pisa E desliza seu salto Alto e pontudo na cara dos fajutos E daqueles que não sabem amar Sonhar ou ao menos A natureza contemplar. Tu és poder e sentimento Teu falo penetra os lamentos Os transforma em pó e em contentos Inebria e traz prazer Como um gozo Um suspiro de viver E ensina que sentir é ir lá fora Espiar o sol e a aurora Dos corpos nus e do suor Que em cascata do teu corpo jorram E me molham como a chuva A chuva quente de verão Que molha a terra sofrida do sertão. Ai de minha vida ferida Frida Que como frigideira respinga faíscas De óleo quente e pegajoso Do meu sentimento molhado e oleoso Como os pasteis ermos que comemos ...

Poesia do Comum Salu: Salmo Moderno do Bêbado Sem Álcool

Eu canto, sabe, de forma desafinada mesmo Como aqueles bêbados na praça da graça E vejo do mesmo jeito As velhas clamarem "que desgraça" Me igualando como o tempo faria Com os pobres bêbados que também vagam. Eu vago, vagabundo moribundo Como um imundo mental sem sentido E com isso me defiro dos bêbados Pois eles mesmo vagabundos Tem seu pensamento puro E lavado pelo álcool bruto Rústico e lúdico. Eu sou impuro Pois imundo é tudo que penso As incerteza bem menos que as certezas As certezas que tiram minhas fraquezas? Não, as certezas que escondem as belezas E transformam minha vida em um mar Um marasmo de decisões frustradas De solidão e angustia desenfreada. Preferia cantar como um bêbado Ser inconsciente como um dependente Do que ser consciente e dependente Do tempo Dos outros e dos coros Das opiniões ilusões E das falas que ferem E me transformam em um macarrão Enrolado e aguado, liquido e sem tempero. Salustiano Sobral Mucura