Eu canto, sabe, de forma desafinada mesmo
Como aqueles bêbados na praça da graça
E vejo do mesmo jeito
As velhas clamarem "que desgraça"
Me igualando como o tempo faria
Com os pobres bêbados que também vagam.
Eu vago, vagabundo moribundo
Como um imundo mental sem sentido
E com isso me defiro dos bêbados
Pois eles mesmo vagabundos
Tem seu pensamento puro
E lavado pelo álcool bruto
Rústico e lúdico.
Eu sou impuro
Pois imundo é tudo que penso
As incerteza bem menos que as certezas
As certezas que tiram minhas fraquezas?
Não, as certezas que escondem as belezas
E transformam minha vida em um mar
Um marasmo de decisões frustradas
De solidão e angustia desenfreada.
Preferia cantar como um bêbado
Ser inconsciente como um dependente
Do que ser consciente e dependente
Do tempo
Dos outros e dos coros
Das opiniões ilusões
E das falas que ferem
E me transformam em um macarrão
Enrolado e aguado, liquido e sem tempero.
Salustiano Sobral Mucura

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