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Poesia do Comum Salu: A Mãe de Muitos

O fervor hibrido e mutante
Andante miscigenação das eras
Ofegante sentimento vivaz
Voraz senhor e senhora
Outrora criadora das eras mais belas
Nas vozes e nas ervas.

Ai quem me dera
Dar-te-a a abundância
A virilidade e a perseverança
De buscar-te  e sentir-te
O deusa mãe lilith
Viril macho-fêmea
Que com delicadeza pisa
E desliza seu salto
Alto e pontudo na cara dos fajutos
E daqueles que não sabem amar
Sonhar ou ao menos
A natureza contemplar.

Tu és poder e sentimento
Teu falo penetra os lamentos
Os transforma em pó e em contentos
Inebria e traz prazer
Como um gozo
Um suspiro de viver
E ensina que sentir é ir lá fora
Espiar o sol e a aurora
Dos corpos nus e do suor
Que em cascata do teu corpo jorram
E me molham como a chuva
A chuva quente de verão
Que molha a terra sofrida do sertão.

Ai de minha vida ferida Frida
Que como frigideira respinga faíscas
De óleo quente e pegajoso
Do meu sentimento molhado e oleoso
Como os pasteis ermos que comemos
E como os cafés que nunca saberemos
Se são doces ou amargos, alhos, áridos
Só sei que de você, nobre ser
Veio  ainda mais certeza de viver
E de contar em virtude e prazer
Com pessoas boas e determinadas
Como Newton e sua maça
Irmã de eva, aquela, que mesmo pura
Trouxe a nós a doce loucura
De viver e de sentir
O saber de amar e de partir.

Salustiano Sobral Mucura 

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