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A coragem de crer

Necessitados estão os homens por crenças! Acreditar em algo transcendental é uma coisa quase que inerente a natureza humana, e aos nossos sentidos. Não poderia eu em minha comum natureza vil dissertar sobre a existência ou não dos fatos dotados de crédito, mas, contudo, em contundente afirmação exclamo que as crenças existem, e podem ser mecanismos sine qua non de transformação individual e coletiva.
Um pais imersos em sistemas morais, ricos de regras disciplinares complexas, cheios de temores e tremores, com certeza terá um desempenho social diferente de um pais dotado de liberalidades. O julgo ditatorial e opressivo, seja de que lado for, sempre agarra-se de calabouços morais e religiosos para controlar e nutrir a população. Verdadeiros currais, onde sobre o controle de "ração" e de "água" as pessoas se subjulgam e se permitem ser administradas. Entretanto, a liberdade sendo continuamente confundida com libertinagem também pode ser usada pelos tiranos como um mecanismo complexo de dominação social e individual tão eficaz e diverso quanto a existência de crenças e padrões morais agressivos. 
Uma pessoa imersa em desconstruções irresponsáveis são tão vulneráveis a servidão voluntária quando um católico fervoroso em uma Catedral barroca, pois, a imagem e os cabelos naturais de um bom Jesus dos passos, através da arte, sofrido e oprimido socialmente, carregando uma pesada cruz nas costas, pode causar em alguém um senso de justiça simbólica e real tão poderosa quanto um tiro. Uma pessoa imersa em festas e volúpias (não estou dizendo que isso seja ruim, eu até gosto de tudo, as festas e os prazeres) tende a cegar-se diante do todo, pois a alegria tem tomado seu ser, e sua crença, agora embebida de álcool e ópios, o inercia e o imobiliza. 
Valoarar a vida é também recusar a servidão, resguardando, mas também agradando o corpo, a mente e o espírito. Para fazer isso é necessário reconhecer uma certa inexatidão do sentido, a complexidade da existência e o inerente ato de crer. Crer é inerente a todos, e é sabido que até para não acreditar é preciso ter fé que "o nada" existe. A partir disso vemos que quão perseverante deve ser o crente, o quão corajso deve ser o ateu e o quão covarde é o agnóstico. 
Apesar da contradição, vale lembrar que os covardes vivem mais, e que os corajosos, como diz o velho ditado popular, estão deitados sobre o solo, abaixo de sete palmos ou menos do chão. 

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