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As Crônicas de Uma Alma Aflita #2

Em um tempo tão liquefeito e cheio de incertezas, onde a maioria das pessoas querem ser felizes, amar chega a ser uma ofensa, principalmente por que a maioria das pessoas banalizaram tal ato puro da natureza humana em prol de uma felicidade robotizada e pseudo-socializada. Eu me encontro aflito esses meses, a universidade vai mal, os estudos também, faz um ano que tento terminar de ler o livro senhor dos anéis a sociedade do anel e não consigo, pelo menos já passei do conselho de Elrond, entretanto, um evento incomum em meus desejos e vontades, sentimentos e bondades, me atingiu, algo que os gregos e os medievais chamariam de doença, o tal "amor", pelo menos acho que é isso.
Para um garoto de 19 anos amar sempre foi uma confusão enorme desde que o mundo fundou-se e a natureza humana despertou, imagine isso para mim que vivo imerso na pós-modernidade fingida, presunçosa em liberdade, mas presa aos seus dedos e desejos? A questão principal aqui é como sei que amo, como sei que meu sentimento é de fato esse? E quem será que amo?
Não venho aqui como o donatário do saber filosófico sentimental, venho como um pobre leigo em filosofia, falar do que sinto e de como vivo esse lástima de conhecer esse sentimento que arranha e faz sofrer, sem saber nenhum autor e sem fazer citação alguma, não tenho obrigação de dizer quem disse as bobagens que propago, perdão mesmo!
Amar é muito ruim, mas repito o que uma professora uma vez disse, professora esta que nutro grande admiração, em sua majestática sabedoria, vivência e existência transcendental, tanto espiritualmente como humanamente: "O amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas". Que definição mais precisa e gozada, não é mesmo? Uma flor roxa, a cor do sacrifício, a cor da remissão e da indulgência, a planta morta que damos aos que amamos quando vivos e bem mais quando mortos, pois é, na morte que em muitos o amor desperta...
A primeira vez que vi o causador de minha angustia eu estava sentado em um banco de madeira no corredor, próximo a sala na qual estudo, ele soltava seu cabelo longo, e eu meio que debochadamente me perguntava: "Que nariz grande?Foi exatamente isso que eu disse, eu, de início, e nos primeiros meses de sua presença, não simpatizava muito com sua aparência, o achava exótico, com um aspecto meio biruta e perturbado, quem me dera se isso tivesse continuado, quem me dera se ele fosse um escroto que nada aceita e tudo recusa.
A paixão, a febre incerta do sentido, me laçou quando ouvi a sua voz, ah! Que lástima foi aquela, era rouca e calma, eu me arrepiei todo, e as características corporais que outrora estranhara agora se combinavam como um quebra cabeça, como música e harpas, sons de águas, a peça que faltava no sentimento que eu sentia. Com isso tudo se encaixou e eu o desejei loucamente, e com o tempo não só sexualmente, agora desejava o ver feliz, e pensava mais nele que em mim, o queria ver livre e nele tudo esperava e suportava. Após a minha amiga apresentar-lhe pra mim, ainda quando o que sentia ainda era paixão, ele disse: "Muito prazer em conhece-lo", meio retorcendo os lábios que combinados com seu nariz longo e charmoso, seu cabelo longo e majestoso e sua voz de trombetas angelicais eu me sentia voar, em aladas asas de querubins. Ai de mim... Como sou sortudo de conhecer tal sentimento e desafortunado também ao mesmo tempo. 

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