A liberdade é a única coisa que os homens não desejam; e isso por nenhuma outra razão (julgo eu) senão a de que lhes basta desejá-la para a possuírem; como se recusassem conquistá-la por ela ser tão simples de obter.
Assim disse Étienne de La Boétie ao refletir sobre o comportamento servil do homem e sua necessidade de ser subjugado por um senhor tirano. Acredito que ele ficaria bastante feliz em saber que a democracia se tornou mais acessível, que as pessoas alcançaram mais liberdade, voz, e direitos perante ao estado; mas morreria de desgosto ao ver o povo sucumbir sob novas formas de dominação que não são mais armas ou impostos, sal ou especiarias; agora os tiranos usam servidores, ou seja, maquinas, imagens, informações e ideologias, para dominarem as pessoas. Hoje vemos um mundo veloz, um mundo desapegado da métrica, um mundo trivial, tanto na arte como no sentido; o que é cultura? Que características se destacam? Não há nada! As coisas tornaram-se como bombas, rápidas, impactantes, devastadoras, mas com o tempo obsoletas e desprezíveis, carcaças da tragédia. Um mundo moderno, um mundo mórbido das velocidades. Este é o mundo que se levantou depois nos tempos da modernidade, da fibra ótica, das batidas e dos batidões; mundo que de tão incerto nem mesmo seus membros sabem definir. Ser humano é padecer em uma gaiola com a porta aberta.
Seria completamente deselegante de minha parte não lembrar dos grandes modernistas e filósofos que vieram antes de mim, pessoas de bom coração que sonhavam com um mundo mais rápido, desenvolvido e progressista. Sim! Eles tinham o pleno direito de desejar tais coisas, pois o mundo vinha estagnado na mesmice e nos padrões que em nada mostravam a realidade da vida e as mazelas do tempo. O que critico é o modo como as pessoas passaram a encarar isso hoje, confundindo rapidez, futurismo e modernidade, com feiura e desordem. Aliás! Nem no futuro elas pensam! Elas pensam somente no hoje, sendo uma de suas “filosofias” o agorismo. O que mais sou crítico é a liquidez que há tempos vem sendo desmascarada por Zygmunt Bauman em suas obras. Contudo, não venho aqui falar do início do século XX, e sim da vergonha que é o início do XXI. Que período mais horrível esse que eu vivo! Onde iremos parar com tantas incertezas? Ou ainda pior – já que as incertezas permeiam a humanidade desde os períodos mais remotos de nossa evolução – por que tanto minimalismo e desvirtuação da arte, do mundo e da vida? Por que se luta tanto por direitos e liberdade sendo que só mais pobreza e servidão se abate? Eles não conseguem enxergar que eles próprios com suas divisões geram isso? Por que insistimos em servir servidores? Nos tornando escravos de imagens, deles e de nós mesmos? Essas são as maiores características deste período que chamo de minimalismo; pois tudo é mínimo, tudo e liquefeito e nada é concreto.
Essas são as características da cultura e do pensamento brasileiro minimalista. Não se dá mais a nossa língua e aos nossos atributos culturais o seu devido valor, sendo bastante comum ouvirmos frases como: “Se eu tivesse nascido nos Estados Unidos”, “Não gosto dessa música brega”, “Jeitinho Brasileiro”, “Como o clima europeu e gostoso, e nós nesse inferno”. O povo que não valora sua cultura e suas heranças características, sua identidade, nunca irá superar suas mazelas e o mal da corrupção, pois nunca se contentará com o que tem, querendo sempre o que é do outro, os bancos da Suíça e seus cofres.
Já diria Lima Barreto - que para mim foi o maior retratador do pensamento niilista brasileiro -: “O Brasil não tem povo, tem público”; isso é a mais pura das verdades, vemos isso todo o tempo, na espúria frase: “Não ligo para política”. Enquanto não dermos o devido valor para a nossa liberdade os canalhas e tiranos continuaram a nos tiranizar em uma corrente de tiranizações que inundam e continuaram a inundar o pensamento independente da filosofia brasileira.
Quando adotamos estilos de vida modistas e limitados, baseados em ídolos efêmeros e mentecaptos que desvirtuam o próprio pensamento, que usam das mídias para formarem e difundirem o aforismo mínimo de que tudo passa, ou pior, de que tudo na vida é fácil e alegre, quando sabemos que somente os tolos acreditariam em sua plena felicidade - obviamente existem várias exceções que chamo de esclarecidos, pessoas que buscam trazer informações concretas e construtivas a través da mídia (influência digital) de forma descontraída e as vezes com a mesma linguagem mínima, como professores alfabetizadores, para resgatar pessoas para o pensamento cognitivo, além de desmentir idiotices como a falácia da terra plana, impedindo a difusão de retrocessos científicos, pois quando encontramos a liberdade de falar e ouvir, mais sujeitos ficamos a asneiras gratuitas - . A responsabilidade de mudar isso é dos pensadores, dos músicos e dos escritores, dos youtubers esclarecidos, daqueles que querem trazer o pensamento concreto.
Nos tornamos dependentes de maquinas, dependentes de mídias, dependentes de informações, bits e bytes, satélites e computadores. Tudo no mundo gira em torno disso, em torno de uma servidão a servidores. Não sei o resto do mundo, nem as outras regiões do país - pois com suas gentes não vivo -, mas daqui onde estou já posso tirar algumas conclusões a respeito do mundo, a respeito das pessoas e suas dominações. Claro! De forma alguma, nunca criticaria e criticarei a ciência, as tecnologias e o conhecimento, o que critico são as pessoas e a forma como usam tais ferramentas; como se tornam servidoras voluntárias de um mercado destruidor, como a minha geração vem se entregando a futilidades, morrendo afogada em bobagens, neste mar do mínimo, neste céu de estrelas que não reluzem, sem valor, sem sentido vital.
O problema do mundo não são os comunistas, e muito menos os liberais, não são os socialistas nem os capitalistas, o problema do mundo vem dos idiotas, pois de suas bocas saem as fezes mais puras e idolatradas que um dia vieram a orbitar o sol. A única coisa que estes minimalistas sabem fazer é polarizar tudo, eles não escutam ninguém e transformam suas filosofias em justificativas para sua real natureza: a vontade de vomitar sobre nós sua burrice, de cuspir na cara dos esclarecidos suas justificativas falaciosas, eles só sabem se opor a tudo, eles não querem o bem do país, eles querem o bem de suas bundas, na frente de seus computadores, de seus celulares, espadas da confiança, de seu mundinho manifesto do poder e da covardia. Hoje nem mesmo eles sabem o que são, seja para que lado for, seja para direita ou para a esquerda, seja para o teto ou para o chão, para todos os lados que eu olho existem idiotas gritando "mito!" Estejam eles de vermelho ou azul, rosa ou verde, as criancinhas continuam a acreditar nas fadinhas, nos docinhos do velho padre, coitadas, nessa política de fé e "esperança" elas amarguram dentro dos loucos gritos, mas mesmo assim eu digo: "Loucos! Vocês querem a servidão?! É isso que vocês querem?! Por que se sujeitam a tiranos?!"
Perca total de tempo. É melhor ir estudar, esquecer que isso tudo existe, esperar o tempo passar, talvez ele traga as respostas, ou um fim, bombas, essas coisas, confesso que dói dentro do meu coração dizer isso, mas tentarei levar deste mundo ao menos as coisas boas, não quero que a terra sobre meu caixão me faça chorar por ter dado muita atenção aos humanos.
E a liberdade? Não existe! O que existe é o julgo de uma servidão solene.
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