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As Crônicas de Uma Alma Aflita #3

É no correr da madrugada que somos capazes, se aflita nossa mente e nossa alma, de ouvir o maior grito, que estridente corrói nosso ser; esse grito chama-se silêncio. O silêncio tem essa capacidade contraditória de nos perturbar, não com fanfarras e grilos, mas com ainda mais silêncio e lembranças. Ao estarmos em silêncio somos capazes de ouvir nosso ser, ser este que na maioria das vezes doente  grita em desespero e angustia, mostrando assim que os ouvidos mesmo tapados escutam.
Tudo ao redor do angustiado silencioso o aflige, seja o som do ventilador que roda, da geladeira que gela, do teclado que os dedos teclam ou do vento que a janela interpela. O silêncio tem essa capacidade redentora de lembrar, não só das coisas ruins, mas também das coisas boas, dos afagos e dos cheiros. Queria eu poder ser mais silencioso, poder me resolver com minhas angustias, criando menos angustias, através do silêncio.
O mundo atual está imerso em barulhos e gritarias, grandes manifestações que berram, mas que não tem a capacidade de verdadeiramente se expressar.
Não falar exacerbadamente é uma forma muito elegante e educada de se expressar, pois nossas atitudes dizem muito, na verdade, muitíssimo , sobre quem somos. E falar menos gera confiança e companheirismo, na verdade muito mais que isso, nos da autonomia e nos torna pessoas menos preocupadas com "felicidade", mais preocupadas em viver, e em sabedoria saber o que melhor escolher.
Ai está o maior desafio dos dias atuais, manter-se em silêncio e escutar o outro, mesmo que o outro seja mais barulhento que nós. É no silêncio que nossa mente escuta os gritos do ser, os berros da alma e os susurros dos corpos. Faça silêncio para que de dor não precise gritar. 

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