Em verdade vos digo, decadência não é sinônimo de fracasso, ao menos não para a burguesia, e para a pequena burguesia brasileira, essa última idólatra da primeira, e a primeira idólatra do imperialismo.
Não é preciso ser Raimundo Faoro, ou Gilberto Freire, para saber que o Brasil tem uma realidade de classe um pouco diferente da experiência primeira de Marx. Somos um país basicamente fragmentado em seu sentido de classe, onde os interesses e os discursos transpassam a práxis, a corrompe, reduzindo-a a mera ideia, ao mero marketing. Obviamente quando falo isso não estou me dirigindo a Burguesia política e a pequena burguesia direitista, mas sim, a pequena burguesia esquerdista.
A pequena burguesia Brasileira é um caso a parte, pois, somos o pais em que a pequena burguesia é elite; assim fugindo da tão chamada democracia burguesa, não somos isso, somos uma democracia pequeno burguesa. A pequena burguesia brasileira, a dita classe média, é o que nos restou de elite, pobres tão quando os miseráveis, mas pomposos e soberbos como os burgueses. Apesar de exagerada, admito, minha generalização é pertinente, quando principalmente olhamos para o setor de esquerda dessa pequena burguesia, a esquerda gritante e pouco prática, fetichista. Geralmente formada de estudantes universitários problemáticos, mimadinhos - filhos de pequenos burgueses de direita, ou até mesmo burgueses - estão sempre a procura de significado, essa pequena burguesia sente a necessidade de ser compreendida, mesmo que suas mazelas não sejam lá muito distantes da dificuldade que eles tem de comprar um lanche do outro lado da esquina.
Dessa necessidade de se expressar, a pequena burguesia de esquerda, geralmente distante da real luta de classe, procura se promover, e representar como baluarte, as reais lutas que ocorrem nos torrões do Brasil, adoram milicutar frente as câmeras e redes sociais, adoram estimular a marquetagem, e diferente dos militantes reais, eles sonham com um capitalismo próprio, não com o fim dele. Chamam de vagabundos os reais militantes, que morrem nos subúrbios, e enaltecem seus feitos, trancados em seus diretórios, em seus programas de tv, ou seus canais no YouTube; mas, felizmente, se urinariam diante de pessoas como Lênin, Marx ou Fidel, e não fui eu que disse isso.
No fim das contas, essa pequena burguesia, só serve para mudar o sentido das coisas, para barrar as revoluções, e ser serva do capitalismo, que no discurso juram combater. Militam, acham que, pelo menos, mas não conseguem ver que militância sem povo, sem conscientização de classe, é uma militância vazia e burra. Mas, como sempre, quem ri disso tudo é a burguesia, que representada pelo proletariado traidor de classe (pequena burguesia), nem necessita falar, basta apenas jogar uma dose de refri, umas batatas murchas, uma lanche, e um carrinho popular para que esqueçam de sua existência, e foquem apenas em sua estratégia de decadência.
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