De Novembro de 2019
Em um tempo tão liquefeito e cheio de incertezas, onde a maioria das
pessoas querem ser felizes, amar chega a ser uma ofensa, principalmente
por que a maioria das pessoas banalizaram tal ato puro da
natureza humana em prol de uma felicidade robotizada e
pseudosocializada. Eu me encontro aflito esses meses, a universidade
vai mal, os estudos também, faz um ano que tento terminar de ler o livro
senhor dos anéis a sociedade do anel e não consigo, pelo menos já
passei do conselho de Elrond, entretanto, um evento incomum em meus
desejos e vontades, sentimentos e bondades, me atingiu, algo que os
gregos e os medievais chamariam de doença, o tal "amor", pelo menos acho
que é isso.
Para um garoto de 19 anos amar sempre foi uma confusão enorme desde que o
mundo fundou-se e a natureza humana despertou, imagine para mim que
vivo imerso na pós-modernidade fingida, presunçosa em liberdade, mas
presa aos seus dedos e desejos. A questão principal aqui é como sei que
amo, como sei que meu sentimento é de fato esse? E quem será que amo?
Não venho aqui como o donatário do saber filosófico sentimental, venho
como um pobre leigo em filosofia, falar do que sinto e de como vivo esse
lástima de conhecer esse sentimento que arranha e faz sofrer, sem saber
nenhum autor e sem fazer citação alguma, não tenho obrigação de dizer
quem disse as bobagens que propago, perdão mesmo!
Amar é muito ruim, há uma professora na qual nutro grande admiração que
diz em sua majestática sabedoria da vivência e existência transcendental
tanto espiritualmente como humanamente: "O amor é uma flor roxa que
nasce no coração dos trouxas". Que definição mais precisa e gozada, não é
mesmo? Uma flor roxa, a cor do sacrifício, a cor da remissão e da
indulgência, a planta morta que damos aos que amamos quando vivos e bem
mais quando mortos, pois, é na morte, que em muitos, o amor desperta...
A primeira vez que vi o causador de minha angustia eu estava sentado em
um banco de madeira no corredor, próximo a sala na qual estudo, ele
soltava seu cabelo longo e eu meio que debochadamente me perguntava:
"Que nariz grande e horroroso?". kkkkk. Foi exatamente isso que eu disse, eu de
início, e nos primeiros meses de sua presença, não simpatizava muito com
sua aparência, o achava exótico, com um aspecto meio biruta e
perturbado, quem me dera se isso tivesse continuado, quem me dera se ele
fosse um sensato que nada aceita e tudo recusa.
A paixão, a febre incerta do sentido, me laçou quando ouvi a sua voz,
ah! Que lástima foi aquela, era rouca e calma, eu me arrepiei todo, e as
características corporais que outrora estranhara, agora, se combinavam
como um quebra cabeça, como música e harpas, sons de águas, a peça que
faltava no sentimento que eu sentia. Com isso tudo se encaixou e eu o
desejei loucamente; então ele disse, após minha amiga apresentar-lhe pra mim,
"Muito prazer em conhecê-lo", meio retorcendo os lábios que combinados
com seu nariz longo e charmoso, seu cabelo longo e majestoso, pensava, sua voz era como trombetas angelicais, eu me sentia como um condor a voar sobre o Cariri com aladas asas de querubins.
Ai de mim... O amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas!
Para Junho de 2020.
Bastou alguns meses, passou e me livrei desse inferno! Como supostamente diria Platão: O amor (eros) é uma perigosa doença mental"! Mas que é doce como o mel! Enfim, me livrei, e agora estou mais promiscuamente sozinho do que nunca, pois o maior remédio para o amor é a liberdade promíscua!
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| Pascale Nemri Daoud, A Paixão pelas Cores |

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