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As Crônicas de Uma Alma Aflita #4: A burguesia adoece, mas tem dinheiro para comprar álcool em Gel

Eu admito que tenho uma certa síndrome de Policarpo Quaresma, e tendo a achar o Brasil o melhor país do mundo, maravilhoso em diversos aspectos, chego até a ser nacionalista nesse ponto, um país que me orgulha, e no qual amo viver; maravilhoso e impressionante até nas contradições. Contudo, apesar desse meu otimismo, existe um setor, um grupo de pessoas que tenho um verdadeiro nojo, uma certa urticaria, uma aversão inflamável, aqui fala da  elite Disney Brasileira. A Burguesia em geral, tirando raríssimas exceções (pois um bom lobo não rende uma matilha) sempre fedeu, principalmente a Brasileira, mas o grande problema é que ela tinha dinheiro pra comprar perfume, francês (parafraseando o sábio Cearense Falcão em sua obra prima Um Bodegueiro na FIEC), ter dinheiro foi sua salvaguarda histórica, além de outra velha tática usada por eles, a de culpar os pobres pelas mazelas. E agora? Quem culpar pela peste que voa de avião? 
Sim, foi de avião, esse meio de transporte tão elitista e globalizado, que a elite viajada Brasileira trouxe para cá a mazela que nos assola, basta ver que a maioria dos primeiros infectados ou são membros do governo, ou empresários, ou filhinhos de papai, ou gente rica que tem tempo de sair, corja que nunca enfrentou uma fila do SUS, ou de farmácia popular; e se enfrentou esqueceu sucumbido pela corrente de tiranizações. Em outras circunstâncias, com já dito, a elite Disney que detesta o Brasil, seu povo, e seu território, que vive em São Paulo, mas que pensa em Orlando, que vive em Teresina, mas deseja Paris, culparia o povo pela pestilência que nos assola, diriam que a culpa é das latrinas sujas, dos barracos insalubres, das quitandas onde os miseráveis vendem o ovo granjeiro e negociam o gás com o miliciano. Nessa situação lastimável os grandes prejudicados são os serralheiros, os marceneiros, os pequenos proprietários e os empreendedores, os informais, os assalariados, e todo o povo que amarga na grande fatia da população, poucas vezes amparada pelo Estado, sim, dessa vez a culpa não é do povo!
Em outros tempos os burgueses culpariam os camponeses, que em êxodo foram para as cidades, pela pestilência, pois, segundo eles, os pobres em suas práticas impuras, em sua falta de higiene, por sua condição "inferior", teriam lhes trazido a doença mortal; diriam: "Somos evoluídos, civilizados, Deus não nos tornaria propagadores da impureza"! Entretanto, eles serão precedidos pelas prostitutas, e não fui eu quem disse que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha. 
A elite Disney Brasileira a despeito dos Burgueses Europeus no qual veneram, também culparia o povo, o ribeirinho do norte, o migrante nordestino, o pobre sertanejo calejado e vulnerável; eles comparariam a condição do sofrido trabalhador a ideias exóticas e nada Brasileiras, realidades que não condizem com nossa história, e tentariam por no mesmo pacote o Americano e o Favelado, por que em sua burrice diriam que é a mesma coisa, atribuiriam valor igual, quando igualdade não existe, nem mérito, nem condição. Essa elite estamentada, mas que detesta o país, sonho em ser Americana, em ser Francesa, mas não suporta a realidade de ser Brasileira. Ela é insensível, e vive em uma terra do nunca, e agora grita pro povo presunçosamente: Fique em casa, não saiu, lave as mãos! 
Como o pobre, oprimido no trabalho, não dispensado sem perder o salário, ameaçado, sem água nas torneiras, que atravessa córrego, correnteza, e corre o risco de pegar dengue, sarampo, e doenças que a elite jeca não conhece por viverem em suas Villes e condomínios, como podem fazer isso? Como, sem ter o risco de ser demitido? Como, com um estado tão desamparador? Como, sem ter dinheiro pra comprar, desempregados e jogados na informalidade? Será que deixaremos passar esse fato histórico e esqueceremos a negligência das elites? Ariano Suassuna parafraseando Machado de Assis dizia que existem dois Brasil's, um Caricato, e um Real; o Caricato é elitista e fantasioso, burlesco e averso ao Brasil; já Brasil real é forte, destemido e unido, trabalhador e vencedor de crises, e acima de tudo, esse Brasil real ama seu país, não lambendo bandeira ou bota, mas fazendo ele crescer, criando, produzindo e escrevendo nossa realidade com alegria, sim, cantando! Não acho que será com a ajuda da Elite que venceremos essa tormenta, não, acho que será somente com a ajuda do Brasil real, um Brasil que ama a si mesmo e tentará apesar de tudo não fazer como eles, pois, agora, modificando a frase original de Falcão: A burguesia adoece, mas tem dinheiro para comprar álcool em Gel, aliás, tinha...

Mais uma coisa, a nossa elite é tudo menos Elite.

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